O conceito de Don Juan dos nossos dias...

"O “complexo de Don Juan” que pegou essa geração de jeito parece consistir numa competição que exalta a quantidade, ao invés de priorizar a qualidade. Os corredores dessa maratona sem sentido esquecem-se que, no fim das contas, tornam-se apenas números em caderninhos alheios e conversas de botequim. Talvez nunca tenham flertado com a ideia de ser o motivo de suspiros alheios, de sonhos e devaneios, de poesias e cartas apaixonadas. Parecem preferir ser uma pequena anotação ao invés de um capítulo… E acabam deixando de passar por situações que são indescritíveis, inerentes apenas a quem já teve o prazer de vivenciá-las.
É preciso bagagem para poder ficar entrelaçando os pés entre os lençóis depois de horas entrelaçando o resto do corpo, e arrumar assunto ao invés de virar para o lado e dormir. É preciso história para poder fazer outra coisa no domingo de tarde que não seja assistir o Faustão ou ir ao cinema. É preciso saber se ela prefere Neruda ou Pessoa na hora de sussurrar uma poesia. É preciso querer conhecer, todo dia, mais um pouco dessa pessoa… Mesmo sabendo que, no fim das contas, você nunca irá conhecê-la 100%. A inocência que o amor traz é, também, o combustível desse sentimento imortal.

Eu sempre acreditei - e credito isso ao meu conservadorismo - que vale mais fazer uma mulher sorrir verdadeiramente do que arrancar um meio-sorriso forçado de um milhão de mulheres. Que é melhor aprender, noite após noite, a fazer uma mulher atingir o máximo de seu prazer, do que passar cada noite em uma cama diferente, apenas para “colecionar histórias”. Que vale mais a pena descobrir cada manhã uma mulher diferente no mesmo par de olhos do que descobrir, em diversos pares de olhos, as mesmas mulheres vazias. "


Lucas Baranyi

Comentários

Feliz disse…
Há leituras que deviam ser obrigatorias!

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