Sobre a greve geral em Portugal

"Dias destes são muito inspiradores e regeneradores. Re-energizadores, mesmo. Amanhã não faço greve e ainda que respeite profundamente quem adere a esta forma de manifestação, não vejo vantagem nenhuma em paralisar o país no auge da crise. Já aqui disse e repito: há 5 anos que sou freelancer, vivo sem subsídios de férias e de Natal, nunca estive no Fundo de Desemprego (embora já tenha estado vários meses desempregada), quando trabalho ganho e quando não há trabalho não ganho um único cêntimo; passo a vida a recriar-me, a inventar novas ideias ou novos projectos e a tentar que outros acreditem neles e em mim. Olho para estes anos e realizo que trabalho pelo menos 3 vezes mais para ganhar 3 vezes menos e nisto estou em absoluta comunhão com aqueles que sentem na pele a precaridade dos contratos de trabalho e a efemeridade dos projectos. Tal como muitas outras pessoas que conheço, continuo a fazer muitas coisas pro bono, a envolver-me em causas e a fazer voluntariado. Reformulei a minha vida, reorganizei as minhas prioridades e fiz o chamado downsizing. Vendi o carro e não voltei a comprar outro, ando a pé e de transportes públicos e, no geral, contenho todas as minhas despesas. Ou seja, estou entre os milhões de pessoas no mundo que estão a ser chamados a lutar, a trabalhar, a construir e a viver de acordo com critérios mais afinados e solidários. Por tudo isto e não só por isso, amanhã trabalho e dou o meu contributo a este país."


Uma opinião de alguém que neste caso sim, é um bom exemplo. Uma opinião que vai de encontro à minha.
Retirado daqui 


Comentários

Hugo de Macedo disse…
Concordo plenamente. Toda a gente sabe o estado em que o país se encontra, vamos cortar em alguns feriados e pontes, exagerados e desnecessários, para tentar dar maior produtividade a este país...e aparecem estes "senhores" (para não fazer insultos...) da CGTP e da UGT a querer parar o país!...

Considero uma VERGONHA, assim não vamos a lado nenhum.
Anónimo disse…
Naquele texto concordo com a ideia de empreendedorismo e produtividade. No entanto devo dizer o seguinte: nunca fiz greve mas desta vez tive uma imensa vontade de fazer simplesmente porque acho que o que se está a passar em Portugal é globalmente inédito (acabei por não fazer por razões não não vou aqui evocar e que não são económicas). A greve é a única altura em que o grito de revolta pode ser ouvido. Quanto à produtividade, haja bom senso, não é por um dia de greve, ou mesmo pelos feriados, que o país vai sofrer. Pensem na produtividade o resto do ano, aí sim faz a diferença. As empresas são as pessoas e não há nada pior para as empresas do que pessoas desmotivadas e contrariadas.
O país atravessa um período difícil cujos responsáveis são apenas os políticos desta pseudo-democracia. Eles é que são os culpados e gostam de sacudir a água do capote e sabem que nada lhes acontece.

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