Meu querido português


Se há coisa que me assusta, é dar erros básicos na nossa querida e tão difícil língua materna (e valha-nos os corretores ortográficos que sempre nos dão uma ajudinha). 
Se pessoalmente e entre amigos isso já pode causar alguns problemas, imaginem no ambiente profissional ficarem conhecidos como aquele que se farta de dar pontapés na gramática. Não deve ser, de todo, agradável.

Estes, para mim, são dos mais 'graves' e também mais importantes:
  • Há / à
A confusão entre o há com “h”, presente do verbo haver, e o à, sem “h”, que é a contração da preposição “a” com o artigo definido no feminino singular “a”, atrapalha muita gente. Uma dica que pode ajudar: se for possível substituir a expressão pelo verbo”existir” (sinónimo de haver) ou a frase implicar tempo, devemos usar “há”.
Exemplos: Há várias opções de cor. A empresa funciona há dez anos. 
  • Ir de encontro / ir ao encontro de
Erro muito comum em propostas e/ou emails que se pretendem mais formais, momentos em que não convém mesmo escrever com erros. Mas qual é o problema? Quando escrevemos “ir de encontro” para indicar que estamos em sintonia com a outra parte, estamos na verdade a dizer o contrário. A expressão correta a usar é “ir ao encontro de”.
Exemplo: Esperamos que esta proposta vá de encontro aos seus objetivos (estamos a dizer: seja oposta). Esperamos que esta proposta vá ao encontro dos seus objetivos (forma correta).

  • Há dois anos atrás / Na minha opinião pessoal
Estas redundâncias não são propriamente erros, mas a bem da simplicidade não há necessidade deste reforço. Basta escrever “Há dois anos” ou “Na minha opinião”. Afinal, todas as opiniões são pessoais. As frases ficam mais simples, mais curtas e são entendidas mais facilmente.

  • Tivesse / estivesse
A confusão entre o “tivesse” e “estivesse” está no chat do Facebook quando falamos com os nossos amigos, mas infelizmente está também nos posts que muitas marcas fazem na mesma rede. As duas formas estão corretas, mas enquanto “tivesse” deriva do verbo ter, “estivesse” é uma conjugação do verbo estar.
Exemplo: Se eu tivesse mais tempo e estivesse em Lisboa gostaria de sair convosco.

  • “Gratuítamente” /gratuitamente
Os advérbios de modo terminados em “mente” não levam acento. E não há exceções. Portanto, obrigatoriamente, gratuitamente, rapidamente, acentuadamente, facilmente, felizmente, etc. nunca são acentuados. Fácil.

  • ás / às
É comum sermos informados que o melhor horário para a reunião é das 14h “ás” 15h00 ou vermos num site de um restaurante que está aberto das 19h00 “ás” 23h00. “Ás” com acento agudo está relacionado com o universo do jogo (ás de espadas, p. ex.) ou pode ser usado para designar alguém que é muito bom em determinada atividade. Quando nos referimos a espaço ou tempo o acento deve ser grave (às).
Exemplo: Temos reunião das 14h00 às 15h00. Portanto, em horários o acento é sempre grave.

  • Fala-se / Falasse
Mais um erro que povoa nas redes sociais, mas infelizmente salta para sites, emails e posts de marcas. Fala-se é uma forma do presente do indicativo e refere-se a uma ação real. Falasse é uma forma do imperfeito do conjuntivo e designa uma ação provável.
Exemplo: Hoje fala-se muito de política, mas gostaria que se falasse mais de economia.

Um truque dos professores de português para não errar: construir a frase na negativa: “Hoje não se fala muito de política. Gostaria que não se falasse de economia”. Se o “se” muda de lugar, significa que é separado por hífen.

  • “Ciclo” vicioso
E este vou colocar só porque me parece que sou uma das que diz errado. Não é “ciclo vicioso”, mas antes “círculo vicioso”.


Retirado daqui: http://observalinguaportuguesa.org/10-erros-de-portugues-que-acabam-com-a-sua-credibilidade/

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